Segredos meninas de cinema

Meninos e meninas são exatamente iguais e têm o mesmo valor como seres humanos, mas socialmente, enfrentam questões distintas. Normalmente, as meninas recebem muita pressão com relação ao ... 15 anos se passaram desde o lançamento de Meninas Malvadas, mas o longa-metragem continua sendo uma das comédias mais bem-sucedidas do mundo do cinema!. Cheia de piadas infames e ensinamentos ... Segredos de Menina As melhores coisas do mundo em um BLOG :) quinta-feira, 6 de março de 2014. ... O i meninas hj vou mostrar para vcs 3 penteados super fofos e lindo e é bem rapidinho :D. ... para ir no cinema, sair com as amigas e ate mesmo para sair anoite *-* Esse coque é mas elaborado, mas também é super fácil de fazer. 5 INCRÍVEIS MAIORES SEGREDOS DO CINEMA. Vídeo De Tendência. 5:29. Daniela P abre a toalha e Mostra a Menina Casa Dos Segredos Desafio Final. Jasper Sadie. 1:01. tributária de imposto postal imposto de correio paraísos segredo segredos levar segredos roubo. TV INTERNET. 17:27. Maiores barracos da TV brasileira AS MAIORES TRETAS NA TV ... Uma descrição quase 100% certa da mulher de cada signo do zodíaco, incluindo alguns segredos bem guardados. Seleciona o teu signo: Áries / Carneiro (Brasil / Portugal) Touro Gêmeos / Gémeos Câncer / Caranguejo Leão Virgem Libra / Balança ... 5/mai/2020 - Explore a pasta 'Filme meninas malvadas' de Mariaeduardadeborbabellio no Pinterest. Veja mais ideias sobre Wallpapers de filmes, Filme meninas malvadas, Netflix filmes e series. Um filme de Natasha Kermani com Ray Wise, Molly Burnett, Tom Malloy, Arianne Zucker. Kate parece viver em um conto de fadas. Ela casou com Ken, um homem afortunado e carinhoso, filho de um ... Sinopse: O filme acompanha a história de três meninas que estudam em um internato na Nova Inglaterra, a escola Tanner Hall.Fernanda (Rooney Mara), Kate (Brie Larson) e Lucasta (Amy Ferguson) vão viver todas as dificuldades da chegada do início da vida adulta e vão precisar tomar cuidado com a chegada de uma nova menina no colégio, que é manipuladora e pretende acabar com a amizade das ... 6/jan/2020 - Explore a pasta 'Meninas com sardas' de Dario Braz no Pinterest. Veja mais ideias sobre Sardas, Meninas com sardas, Rosto. Curiosidades, bastidores, novidades, e até segredos escondidos de 'Meninas de Ninguém' e das filmagens! A família que Manny e Lo observam no campo de golfe corresponde aos pais, à irmã e ao ...

Senta que lá vem história

2020.08.31 05:18 _powerguido_ Senta que lá vem história

Ficamos juntos por 5 anos. E não foram 5 anos fáceis - minha ex namorada teve problemas que eu não sabia como ajudar. Ela era literalmente stalkeada por um ex colega de classe que simplesmente se apaixonou por ela e passou mais de dois anos perseguindo ela no trabalho, no mestrado, na academia. Chegou a conspirar com colegas da faculdade pra saber onde ela estava, quem eram as pessoas próximas dela. Tentou rapta-la, mais de uma vez. Subornou familiares para ficarem do lado dele. Pra ela, ele era só um cara que não sabia expressar os sentimentos bem. Se ele parou? Não. Mas reduziu a agressividade consideravelmente e hoje em dia se limita à "só" mandar um buquê de rosas no aniversário dela.
O cara já estava tão enraizado na vida dela antes de eu aparecer, que eu simplesmente não consegui convencer nem mesmo a minha ex de que ele era um cara realmente transtornado. O terror que era esse cara na vida dela só serviu pra agravar ainda mais o caso grave de ansiedade que ela tem. Vocês sabem o que é ver uma crise de ansiedade pela primeira vez, sem nem entender o que estava acontecendo? Mas uma crise grave mesmo, de fazer a pessoa chorar por duas horas sem parar, de ficar arranhando o corpo todo com as unhas e viver com hematomas nos membros do corpo por causa disso. E isso começou a ficar constante... uma hora eram uns arranhados no rosto, depois nas pernas. Até o dia em que eu fui ver ela e os dois antebraços estavam quase em carne viva.
E o pior, é que eu quase nem me lembro mais dessa época. Foi muito intenso e me afetou negativamente por muito tempo. Eu conseguia entender que um babaca machista se via no direito de perseguir uma mulher só porque ela não queria namorar com ele - mas meu deus do céu, eu com certeza não conseguia entender como ela mesma não via o quanto ela precisava de uma ajuda profissional por causa da influência negativa desse cara na vida dela (e por vários outros motivos que não valem nem a pena serem citados). Ela me usava como substituto pra tudo que ela não tinha na vida dela - um pai, um irmão, um psicólogo, um amigo. E eu me deixei levar, porque era ingênuo. Porque era meu primeiro namoro. Porque eu achava que eu podia consertar isso. "Depois das primeiras sessões no psicólogo ela vai perceber que esta fazendo bem pra ela", eu dizia pra mim mesmo. Passamos em tantos psicólogos, psiquiatras, gurus. Fizemos academia juntos, eu praticamente morava com ela e não ficava mais com minha família. Eu achava que eu podia dar um jeito na vida daquela menina.
E sinceramente? Eu podia mesmo. Eu não acho que falei alguma coisa errada pra ela em todo o tempo que estávamos juntos. Mas ela nunca me ouvia. E se ela ouvisse, talvez ela tivesse passado por essas situações com mais facilidade, nosso relacionamento teria tomado outros rumos e nós ainda estaríamos juntos. Mas não estamos, e quem está perdendo com isso é ela, porque ela não me superou com certeza. Ela mesma me fala isso.
Eu não acho que eu era um namorado incrível e maravilhoso. Eu nunca tive um carro pra conseguir dar um rolê com ela. Com meu dinheiro mal dava pra gente ir no cinema uma vez por mês. Mas cara, eu me esforçava tanto, tanto mesmo. Lembro que eu um dos dias dos namorados eu quase varei a noite fazendo uma carta à mão de umas 10 páginas, tinha vários desenhos coloridos, poemas apaixonados e promessas de amor. Ela achou ok. Gostou mais do bicho de pelúcia que eu também dei, que custou 10 reais e que claramente não tinha nenhum valor sentimental pra mim. É muito difícil lidar com um cara que persegue sua namorada, mas acho que é mais difícil quando sua própria namorada não dá valor pra como você expressa seu amor por ela.
Mas você leitor deve estar pensando "Mas você disse isso pra ela?" E a resposta é sim. Eu sempre fui sincero com ela, se algo me chateava, eu dizia. Nada do que eu estou escrevendo aqui é algum segredo pra ela. E eu achava que ela ia trabalhar essas informações pra criar um relacionamento mais confortável pra mim e pra ela. Mas ela escolheu ignorar.
Mas o motivo de eu estar escrevendo tudo isso mesmo na verdade é outro. A gente terminou, mas foi razoavelmente tranquilo e decidimos continuar nos falando. Nós dois somos adultos, não é porque discordamos de alguns pontos que precisamos deixar de apreciar a companhia um do outro pra todo o sempre.
E é aqui que sou obrigado a voltar pro começo do nosso namoro. Porque apesar de termos iniciado o namoro cada um com mais de 30 anos, perdemos a virgindade juntos. Crescemos sexualmente juntos. Aprendemos tanto juntos! Eu mais ainda, visto que era meu primeiro namoro. E eu reclamei muito aqui da minha ex (e ela realmente tem os defeitos muito marcantes dela), mas eu também preciso admitir que ela em muitos momentos foi tão minha parceira, minha confidente, minha amada. Eu passei calado por todas as situações que eu já descrevi aqui e muitas outras tão ruins quanto porque, no fundo mesmo, pra mim estava valendo a pena. A gente tinha intimidade, apesar da dificuldade extrema dela de se abrir pra mim. Eu estava sacrificando meu bem estar mental e físico para sustentar o nosso relacionamento.
Tanto que só perto do final do nosso relacionamento que ela assumiu pra mim a atração por outras mulheres. Eu entendo ela, tem gente que não reage bem à isso. Eu tenho certeza que a família dela não reagiria nada bem. Entendo que era um segredo que ela queria deixar só pra ela, e que mesmo com toda a intimidade sexual que a gente tinha, ela também tem o direito de manter coisas só pra ela. É justo.
Só que eu não fiquei com raiva, nem com medo de ela querer me trocar por uma mulher, nem tive essa ideia fetichizada de transar com duas mulheres ao mesmo tempo. Eu sou um cara hétero, mas eu acho o amor lésbico de uma sensibilidade e de uma beleza inexplicável. Eu sempre me sinto mais seguro perto de mulheres, sempre me conecto mais com elas. Desde pequeno eu gosto da presença feminina. Então a ideia de duas mulheres partilhando um relacionamento, parece uma coisa quase mágica pra mim. E de novo, não é nada sexual nem fetichizado, eu realmente só acho muito bonito mesmo. Então qual foi minha reação quando descobri que minha ex tinha vontade de viver isso que eu acho tão incrível? Incentivei ela à correr atrás disso.
Mas é claro que ela, criada numa família extremamente católica, iria simplesmente sair atrás de uma guria do dia pra noite. Foram meses de conversa, de aceitação da parte dela também, de entender que ela não era uma aberração da natureza porque sentia atração pelo mesmo sexo (e também pelo sexo oposto). Nossos últimos meses juntos foram repletos de muitas conversas relacionadas ao mundo LGBT+ e afins. Acho que nós dois também já sabíamos que as coisas não estavam mais super bem entre nós, e que era questão de tempo até a gente se separar. Nosso relacionamento estava bem desgastado mesmo. É estranho porque a gente consegue ser extremamente forte pra parceira quando ela precisa ir correndo pro hospital, ou tem uma crise de pânico, ou não se sente segura na rua e precisa que você pare o seu dia para fazer companhia à ela - mas parece perder a motivação quando essas situações se normalizam e você percebe que talvez aquela pessoa simplesmente não tem a proatividade de te mandar uma mensagem perguntando "como foi seu dia", e de alguma forma sempre está online no whatspp. Sim, nosso relacionamento acabou. E foi bom ter acabado. Eu precisava desse término, muito mais do que eu precisava de uma namorada.
Mas também é muito bom saber que aquela pessoa por quem você passou anos cultivando um sentimento também está vivendo a vida dela. É bom saber que dá pra gente marcar um dia pra devolver as roupas dela que ficaram aqui em casa, sem drama, sem dor de cabeça. Ela foi muito madura no término, eu também. De certa forma nosso namoro acabou, mas continuou como uma amizade - bem menos intensa, bem menos problemática, bem mais fácil de lidar. Mas também sem as partes boas, sem aquela sensação de que se está ajudando a pessoa. Mas é muito mais do que milhares de pessoas separadas têm hoje em dia. Não posso reclamar, eu tenho muita sorte.
Eu só queria mesmo poder partilhar com ela a experiência da descoberta homoafetiva dela. O que não vai acontecer, já que ela já deixou claro que não é obrigada a revelar nada da vida pessoal dela agora que nosso relacionamento terminou - e ela tem total razão nisso. Eu sei disso, eu concordo com isso, e ao mesmo tempo eu acho que ela está sendo tão injusta por me negar esse fato.
Eu sei que não justifica, mas eu me dediquei tanto ao nosso antigo relacionamento juntos. Tive que entender que eu não estava mais sozinho no mundo, eu tinha alguém pra dividir o mundo comigo. Eu tive que aprender a baixar minha guarda, contar o que me dava medo, me expor totalmente à alguém, me desconstruir inteiro. E isso é muito difícil pra mim. Eu sei que ela não me deve nada, e eu sei que eu sou um idiota por me apegar tanto à esse motivo tão besta. Mas isso é realmente importante pra mim. Tem uma coisa dentro de mim que é ansiosa em saber se minha ex está se sentindo acolhida por uma outra mulher, se teve uma boa primeira experiência. De novo, eu sei que soa muito trivial, mas é uma verdade tão grande dentro do meu coração que me faz querer chorar quando lembro que isso nunca vai acontecer.
E não tem nada que eu possa fazer a não ser aceitar. E é exatamente isso que eu venho tentado fazer, pelos últimos 6 meses.
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2020.07.11 20:37 darwinson-chan O dia que minha namorada me expulsou do armario

Olá lubixco, editores, papelões (ou restos deles...), possível convidado (q n deve existir pela quarentena), turma que está a ver ou ler e pspsps gatas (já que não olham mais pro luba, dêem atenção pra mim).
A história não é bem engraçada, mas talvez possa ajudar alguém ou até fazer algumas risadas... Espero que gostem!
"O dia que minha namorada me expulsou do armario sem querer"
Então para esclarecer, eu me descobri bissexual no 9 ano e comecei a namorar uma garota no médio. Nunca fui de pegar ninguém então acabou que ela foi minha primeira namorada e a unica pessoa que eu tinha beijado.
Eu e essa menina, que na época se chamava Isabele e é assim que a chamaremos aqui, tínhamos um relacionamento legal, assistiamos anime e, as vezes, íamos no shopping com algumas amigas (o que era mais uma desculpa que qualquer outra coisa, mas tudo bem). Mesmo assim ela ainda fazia algumas piadas sobre minha sexualidade, meio bifóbicas, tipo "bem que você podia ser 100% sapatao" ou "não precisa fingir ser meio hétero", enfim...
Quando tínhamos uns 2 meses de namoro, saimos em um rolê com umas amigas pro cinema. Estávamos sentadas na frente do Starbucks (ela com alguma bebida de lá e eu com a casquinha do Mc pq eu sou pão duro) enquanto as outras "compravam o ingresso" (provavelmente n queriam segurar vela ou estavam atras de algum boy).
Entao Isabele disse que tinha que conversar comigo. Ela tava meio estranha nas últimas semanas e eu já tremi na base, achando que tinha feito algo errado, que ela ia terminar comigo ou algo assim. Isso começou a me deixar meio nervosa (e eu tava meio instavel pela TPM).
Entao a Isabele falou algo tipo: "Eu nunca me senti bem comigo mesma sabe... nao me identifico muito com o meu genero..." então ela falou que estava questionando o próprio gênero (há algumas semanas ela confirmou isso). Eu falei que tudo bem, que ia gostar de qualquer jeito, que amaria elu independente do genero. Isabele disse que estava pensando também em mudar o nome e eu apoiei e taus (mas continuarei chamando elu por Isabele por pedido próprio para não expor).
Elu veio por trás para me dar um abraço, o que eu achei estranho pq como eu ainda não tinha "saido do armário" pra mt gente nao costumavamos ter essas demonstrações publicas e muitas pessoas achavam que éramos amigas. Dada a situação não me importei, NÃO É COMO SE ALGUÉM FOSSE ME RECONHECER. Então elu disse no meu ouvido...
Eu respondi que eu era bi, mas podia amar elu mesmo assim. Além disso, na minha cabeça, se eu fosse lésbica não poderia gostar delu, já que se identificaria com outro genero.
(Algumas pessoas consideram que bissexuais podem gostar apenas de dois gêneros e eu nao tinha certeza na epoca. Hoje já tenho mais certeza pois vi um vídeo de uma tiktoker que me representou( https://vm.tiktok.com/T6aeL). isso meio que me pressionava e me dava umas crises de identidade fodas. Mas tudo bem. )
Depois de uma breve discussão, que eu não lembro o q tínhamos falado, Isabele perguntou de novo, meio pra baixo meio irritade e falou que eu não podia ser bi se eu ainda gostasse delu. Eu, como a pessoa calma que sou, acabei gritando "não posso o car...valho!" E concluí "Pensei que te amar fosse o suficiente" e atraí um pouco de atenção, havia alguns grupos adolescentes próximos olhando (guarde essa informação, ela é bem importante).
Acho que elu ficou magoade com aquilo e eu me senti muito mal, mas qual o problema em eu ser bi? Além disso elu sempre soube que eu tenho muitos problemas quanto a isso e mesmo assim ao inves de ajudar com minhas crises fazia piada. Mesmo que não soubesse a real intenção, se Isabele estaria fazendo as piadas pra me acalmar ou talvez me fazer admitir ser lésbica. Enfim não sei
Anyway, eu não devia ter gritado, elu ficou brave e explodiu tb, dizendo que eu tinha preconceito com pansexuais por não me admitir ser. E do nada o assunto mudou "Aliás por que você não sai da porr* do armário, em cara***?! Não tem orgulho de sermos um casal? ".
Isabele queria muito que eu falasse pros meus pais, já tinha dito que se sentia mal em esconder isso. Os pais delu são de boa então ela contou pra elus e pediu pra manter segredo, mas eu não contei nem pra todos meus amigos. Elu queria muito se apresentar como meu namorade, mas eu sempre disse pra elu esperar e elu ficava chateadu.
Bem, até agora, Quem é o babaca? (Deixa nos coment com um * pra eu saber que está se referindo a esse momento)
Continuando: eu, que já sou chorona, naquele dia estava bem pior. Como eu sempre faço, sai correndo pro banheiro, bem clichê mas é.
Uns minutos depois a minha amiga, que vamos chamar de Ana, foi atrás de mim, me ligou. Eu tava trancada numa das cabines do banheiro, só atendi e falei que tava no banheiro e ela me achou por causa do tênis que eu tava usando, que tinha uma faixa de arco íris na sola (alias como ela viu o meu tênis sendo que eu tava na última cabine, nao sei. só espero que não seja do jeito que eu imagino).
Ela me acalmou e taus, naquele momento o que eu mais sentia não era ódio delu e sim de mim mesma, eu não tinha o porque de ter gritado, descontei nela os problemas das minhas próprias crises.
Enfim, o resto do role meio q miou né? Eu fui pra casa da Ana pq se meus pais me vissem com aquela cara iam perguntar. Eu tava digitando um textinho de desculpas quando ela me parou e mandou eu olhar o twitter no perfil de Isabele. Eu olhei e já notei de cara uma indireta: "Acho que fingir 'ser alguem que você nao é' é péssimo. Mas pior é mentir para os outros e continuar mentindo." Quem manda indireta no twitter? eu não uso muito, então não sei se é normal mas subiu o ódio de novo.
O dia não podia piorar né? Mas o problema é que a situação nao acabou aí.
Lembra que eu disse que tinham muitos adolescente lá? Então, acontece que esse shopping é perto do colégio onde eu estudo então geral vai la e entre eles estava uma aluna do colégio, vamos chama-la de Carls.
A Carls era da minha série e, como adolescente nao sabe cuidar da própria vida, não só contou pra umas amigas, como também filmou uma parte e postou no snap. Hoje me abomino por ter pintado metade do meu cabelo de vermelho pq provavelmente ela me reconheceu por isso. Sabe aquela garota que gosta de espalhar fofoca por aí e age como se não tivesse feito nada de errado? bem era a Calrs.
E como adolescente também adora uma fofoca ou jogar lenha na fogueira, de repente virou um rumor. Alguém tirou print e o negócio meio que espalhou. Lembro que naquele dia chegaram a colocar no stories do insta do colégio (o insta que é meio que um blog dos alunos do médio) uma enquete se nos shippavam ou não.
O twitter de Isabele era privado, o que talvez diminuiu o alcance, mas não o suficiente pra elu perceber o que estava acontecendo. O post foi suficiente pra confirmar que eramos nós brigando e tiraram print do post dela, então adiantou nada a conta ser privada. As pessoas das nossas séries perguntavam pra mim se era verdade, tratavam como se fosse um plot de uma série americana.
Enfim talvez esteja parecendo maior do que realmente foi mas, para dar uma ideia mais realista, boa parte do segundo do médio comentou sobre isso em algum momento (pq, por Isabele ser "diferente" e abertamente, as pessoas conheciam elu, a maioria inclusive apoiava) e alguns grupinhos de colegas que pelo menos me conheciam falaram comigo. Essa situação, por conta de alguns comentários no twitter (não muito gentis), chegou na coordenação, a orientadora foi legal, chamou a gente no fim da aula e disse que se houvesse qualquer preconceito podia falar com ela e taus. Isso tudo em uns 3 dias. A gente conversou com calma, eu ainda amava elu, mas não tinha muita certeza se deviamos voltar.
A situação chegou nos meus pais. Eu tive que explicar tudo pra eles. Não foi tão ruim, mas eu queria ter uma outra oportunidade ou sla. Fiquei de castigo por causa dos roles e por não contar, sem celular por uma semana.
Eu e elu tinhamos evitado nos falar na escola pra diminuir os boatos. Depois disso ainda não tínhamos nos perdoado totalmente, apenas evitamos. Eu fiquei com outras garotas e entao começou a quarentena (fazia pouco menos de meio ano desde todo esse role) e com isso as paranoias: Eu nunca cheguei a ficar com nenhum garoto, muito menos a namorar. Nao sei se sou pan, bi ou lésbica, até pq eu me meti numa situação em que meu companheiro se descobriu agenero no meio do relacionamento. Talvez eu seja lésbica e causei esse furdúncio pra nada?? Acho que essa situação colocou ainda mais pressão infelizmente e, sei lá, as coisas são confusas as vezes.
Semana passada Isabele me chamou no whats, conversamos e nos perdoamos devidamente e ainda sinto um sentimento por elu. Ai meu Deeeeus eu vou morrer sozinhaaa.
Enfim, espero que tenham gostado (foi mal pelo textao). Todos os que estão passando por essas crises de sexualidade, genero ou whatever, durante a quarentena, fiquem fortes, posso não ser a melhor pra dar apoio, mas tudo vai ficar bem. Desculpa pela historia longa
Beijos, =30
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2020.01.09 03:21 dns-silva Eu queria meu amigo de volta

Sabe quando uma pessoa, que há algum tempo era tua metade, teu amigo pra tudo, aquela pessoa que fazia teu dia melhor e menos pesado, do nada, vira um estranho? Bom, como que eu vou explicar mais ou menos isso? Vamos lá. Eu tinha um amigo, há uns 2 ou 3 anos atrás, com quem passei boa parte do tempo convivendo. Olhando assim, eu acho que o meu eu de 7 anos atrás nunca diria que seríamos amigos. Éramos diferentes em tudo. Gostos, "classe social", hobbies, grupo de amigos e etc. Um belo dia comecei a conversar com ele sobre alguns filmes que gostava, e achamos coisas em comum nisso. Ele me indicou filmes e séries, e eu fiz o mesmo, e desde então, eu e ele sempre tínhamos muito assunto para conversar. Animes eram o ápice da conversa, e ele sempre me falava sobre One Piece e o quanto o anime ficava bom no 653° episódio. Isso tudo em 2014. Eu havia perdido meu pai em 2011, e meio que acho que nunca superei esta perda. Em 2014 eu encontrei uma caixa aqui em casa, com fotos, anotações e etc que pertenciam ao meu pai. Desde esse dia eu fiquei muito tocado e passava o dia quase inteiro pensando nele. Meu pai era um homem muito bom pra mim e eu tenho certeza que se hoje ele fosse vivo, estaria orgulhoso do filho. Nessa época eu estava descobrindo minha sexualidade, mas meio que tinha muita vergonha de assumir ser gay no meu círculo de amigos e isso ser motivo de piada e chacota. Esse meu amigo não, um dia resolvi contar para ele e a reação dele foi de me apoiar, e de dizer que ficava feliz por eu ter finalmente me encontrado. Ele sempre foi um cara muito bom. A gente passou 2 bons anos convivendo todo santo dia no colegial. E por mais que a gente não fosse tão igual, ele sempre fazia questão de me incluir em todas as saídas da turma dele, de me enturmar e fazer eu ter mais amigos e ser menos antissocial. Minha família não tem muito dinheiro, e as vezes ele me emprestava dinheiro para ir ao paintball ou cinema com o pessoal. Eu falava com ele sobre absolutamente tudo. E ele me ouvia e me entendia. Nem sempre tinha uma resposta pronta pra me dar, mas sempre me dava conselhos que eu sei que eram pro meu bem. Ele também sempre me confiou muitos segredos, e eu sempre fui 100% sincero com ele em tudo. Um dia, em 2015, ele começou a namorar uma garota da turma. De início tudo mil maravilhas, a dupla virou trio e eu virei vela, mas nem me importava, eu agora tinha dois melhores amigos. Eu nunca havia falado pra namorada dele sobre minha orientação sexual, por vergonha, mas um dia, em uma brincadeira, ela me perguntou e eu falei sobre ela. Ela achou legal, disse que sempre quis ter um amigo gay. Só que dá água pro vinho, em questão de semanas, ela começou a mudar comigo. Me ignorava, falava coisas ruins sobre mim, sobre eu querer roubar o namorado dela e dizer que eu gostava dele. Eu nunca gostei desse meu amigo em relação amorosa. Ele sempre foi como um irmão pra mim. Foi quando chegou o momento que eu mais temia, ela praticamente fez ele escolher entre o amigo e a namorada. Ele, óbvio, escolheu ela, mesmo dizendo que não faria essa escolha. A gente quase não se falava tanto quanto antes, ele se estressava comigo mais fácil e eu acabei entrando em uma depressão. Voltei a ser um cara introvertido e calado. Não saía mais com a turma, não participava das rodas de conversa, tudo por que eu sentia o olhar ruim da menina que ele namorava sob mim, e as vezes ouvia as coisas que ela falava sobre mim pros outros. Quando o ensino médio acabou e fomos pra faculdade, nós nos distanciamos, eu e meu amigo, e consequentemente eu e a tal namorada dele. Estamos na mesma faculdade eu e ele, mas em cursos e turnos diferentes. Eu as vezes vejo ele no corredor, ou passando por algum auditório. Eu as vezes vejo as postagens do casal no insta dele. Mas faz tanto tempo. Isso tudo eu passei em 2016, e de lá pra cá eu tenho estado tão sozinho que só agora me deparei com a nova "imagem" que minha mente criou dele. Olhando fotos antigas, me pergunto se realmente aquilo tudo foi real, e eu um dia tive um melhor amigo. Eu acho muito bonito, sabe? Duas pessoas, independente do sexo, serem amigas a ponto de poder contar com aquela pessoa para o que der e vier. Eu queria muito poder um dia conversar com ele de novo. Falar sobre como eu me sinto, mas isso é quase impossível. Ele agora trabalha , tem uma rotina corrida e os velhos amigos da turma são os únicos amigos do passado com quem ele ainda sai, visita, conversa. Soube que até tem um grupo no whatsapp. As vezes eu acho que eu não existi ali naquele meio. Não sei se realmente me importo, mas é como se eles tivessem me apagado da memória. E o que mais me dói, é que eu sinto que ele também me esqueceu. Lucas, se um dia tu ler esse relato, eu queria dizer que sinto muito pelo que nossa antiga amizade se tornou. Talvez tenha sido minha culpa. Eu sinto muita, muita falta mesmo de ter alguém pra conversar as vezes. Eu tenho sonhado algumas noites com cenas daquele tempo. Com as vezes que eu chorei por causa de crises familiares e tu tava ali, do meu lado pra me dizer algo que me ajudasse . Eu não sei se um dia eu vou ter um melhor amigo de novo. Eu queria muito. Mas eu espero, de verdade, que tu esteja e seja muito feliz na tua vida toda. Bom gente, é isso, obrigado por me lerem.
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2019.10.27 20:14 Major_Tom_Comfy_Numb Recomendações de livros de horror

Aproveitando o clima de Halloween, recomendem bons livros de horror, especialmente aquelas pérolas não tão conhecidas.
Eu começo com dois que li recentemente e achei excelentes:
O Terror - Dan Simmons
Inspirado na história real da Expedição Franklin, do século XIX, em que 2 navios e suas tripulações desapareceram após partir da Inglaterra para tentar encontrar a cobiçada Passagem Noroeste, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico através do Círculo Polar Ártico. Apesar do autor incluir alguns elementos sobrenaturais, só o relato das dificuldades e problemas enfretados pela tripulação já vale a leitura.
The Fisherman - John Langan
Conta a história de um grande mal que se instala em uma região próxima ao Rio Hudson em Nova York, no melhor estilo ameaça cósmica. Esse autor gosta de escrever num estilo "história dentro da história, então você acaba acompanhando 2 histórias relacionadas, em diferentes linhas de tempo.
Além desses recomendo dois outros mais mainstream:
Tripulação de Esqueletos - Stephen King
Uma antologia de contos do mestre King, sendo que alguns foram adaptados para o cinema. Tem alguns contos que até hoje me causam algum impacto, mesmo tendo lido o livro há mais de 5 anos atrás.
Dagon, O Chamado de Cthulhu e outros - H. P. Lovecraft
Existem várias antologias de contos do Lovecraft e vale muito a pena pegar alguma delas pra ler, principalmente se contiver algumas das histórias mais famosas dele, como Dagon, O Chamado de Cthulhu, A Cor que Caiu do Espaço, O Horror de Dunwich etc.

Edit: Seguem recomendações do pessoal nos comentários:
tit0savi0/
Mountain of Madness - Lovecraft
Uma expedição vai pra Antártica investigar o desaparecimento de outra expedição, ai acontece Lovecraft :)
zerotheelde
O Curioso Caso de Charles Dexter Ward, A Cor que Caiu do Céu, e O Horror em Dunwich - Lovecraft
Waldonville/
Vozes do Joelma: Os gritos que não foram ouvidos - Marcos DeBrito, Rodrigo de Oliveira, Marcus Barcelos e Victor Bonini
[Os autores] se uniram para criar versões perturbadoras sobre as tragédias que ocorreram em um terreno amaldiçoado, e convidaram o igualmente perverso Tiago Toy para se juntar na tarefa de despir os homicídios, acidentes e assombrações que permeiam um dos principais desastres brasileiros: o incêndio do edifício Joelma
almean/
Os Salgueiros de Algernon Blackwood - E Edgar Allan Poe
Fuck_Passwords_/
The Wendigo de Algernon Blackwood: Homens encontram uma criatura na floresta
The Yellow Wallpaper de Charlotte Perkins Gillman: Uma jovem mulher é presa no seu próprio quarto (ou na sua própria mente)
Let The Right One In de John Ajvide Lindqvist: Um menino solitário conhece a uma criança muito especial que é mais do que parece
The Exorcist e Legion de William Peter Blatty: sobo primeiro já todos conhecem mas, uma menina é possivelmente possuída pelo diabo. O segundo está relacionado à um dos personagens do primeiro.
House Of Leaves de Mark Z. Danielewski: Uma casa que esconde lugares segredos
I Remember You de Yrsa Sigurdardóttir: Um grupo de amigos que ficam isolados numa ilha com uma casa mal assombrada
klausz/
O médico e o monstro - Robert Louis Stevenson Drácula - Bram Stoker
100titlu/
Drácula - bram stoker - Alem de ser um marco cultural, o fato da narrativa se dar por diários e transcrições torna ainda mais charmoso.
Incrível Viagem de Shackleton: A mais extraordinária aventura de todos os tempo - Alfred Lansing - Basicamente é a mesma vibe de história real [de O Terror] só que sem o lado sobrenatural.
FlameKerberus/
O bebê de Rosemary, não tem muito o que falar, é um romance de terror escrito por Ira Levin. O livro conta a história de um casal que se mudam para um novo apartamento e pretendem ter um filho, porém fatos estranhos acontecem durante a gravidez. Se passa em nova iorque da década de 60.

Filmes:
ajinomoto123/
Midsommar
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2019.04.20 18:34 SignorHolmes [Indicação de leitura] Vocês conhecem mais livros como estes para me indicar?

Edição para esclarecimento: Aceito dicas de livros sobre qualquer tema, não precisa ser, necessariamente, sobre trabalho ou estudos. O que importa mesmo é que o livro se proponha a esclarecer o leitor sobre algum padrão de pensamento ou sobre uma forma de enxergar o mundo. Então, digamos que você leu um livro explicando sobre, por exemplo, relacionamentos, ou dinheiro, ou qualquer outra área e, por ter lido esse livro, você passou a entender e agir melhor nesse ramo, em relação a antes de ler o livro, então está valendo a indicação.

Edição para complementação: Já li Deep Work, de Cal Newport. Recomendo "So good they can't ignore you", do mesmo autor, também.
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Vou classificar os livros que uso como referência em duas categorias.
1. A primeira compreende os livros que tratam de padrões de pensamento, de ferramentas mentais eficazes em contribuir para o aperfeiçoamento do nosso "maquinário mental", de uma forma mais particular, e da nossa performance nas atividades do cotidiano, de uma forma mais ampla. São eles:
Nesse livro, os autores oferecem um modelo teórico-empírico para explicar o porquê de algumas pessoas atingirem níveis extraordinários de excelência em suas respectivas áreas de atuação, em contrapartida à ideia de "talento inato". Segundo esse modelo (a meu ver, muito mais plausível que a ideia de talento inato), a excelência é fruto da construção iterativa de estruturas mentais a respeito daquilo que se pretende virar um expert*,* o que é demonstrado ao longo da obra por meio de exemplos coletados em mais de 20 anos estudando o assunto. Eles tratam, também, de esclarecer melhor aquela estória de que são necessárias 10.000 horas de treino para que alguém chegue no nível de expertise em sua área, popularizada por Malcom Gladwell em seu livro "Outliers: The story of success" (no Brasil, "Fora de série - Outliers: Descubra por que algumas pessoas têm sucesso e outras não").

Ainda estou nas primeiras páginas do livro, mas a premissa trazida pelo autor é semelhante à do anterior, qual seja, a de que a performance de alguém em determinada área é um resultado da qualidade da estrutura de pensamento (nesse livro ele chama de "mental framework" enquanto os autores do livro anterior chamam de "mental structures", mas, até onde eu li, são ideias correlatas). Aqui nesse livro, especificamente, a proposta é ensinar ferramentas que sirvam para aperfeiçoar nossas habilidades de formular julgamentos mais claros, precisos e livres de equívocos.

Esse foi o primeiro livro que li com esse tipo de premissa. Nessa obra os autores, que são professores de Harvard (a edição gringa é publicada pela Harvard University Press), argumentam que existem patamares de complexidade mental que as pessoas podem atingir ao longo da vida ou não, em função do que a forma como elas lidam com as suas atividades acaba sendo mais ou menos eficientes. Eles fornecem uma espécie de plano para que o leitor possa avaliar em que patamar se encontra e consiga avançar para o seguinte. Eles também dissociam a tal da complexidade mental de conceitos como talento inato e QI, e frisam que a complexidade mental não necessariamente cresce em função da idade da pessoa.

Ainda não parei para ler esse livro de capa a capa. Li apenas alguns capítulos, não necessariamente na sequência do livro. O que o autor propõe nele são princípios (ooohhhh) que ele diz usar no seu dia a dia e que, diz ele, foram e continuam sendo fundamentais para que consiga enxergar o mundo de uma forma mais clara e tomar mais decisões acertadas que equivocadas.

Também pulei algumas partes do livro. A ideia da obra é a seguinte: lá pela década de 40 do século passado, alguns alunos da Universidade de Harvard considerados os mais desenvolvidos (pelos padrões do que se considerava alguém como sendo desenvolvido à época) foram recrutados para um estudo que se prolongaria por suas vidas inteiras. O estudo consistia em coletar informações biológicas, psicológicas e sociais de cada um deles com vistas e entender o que os diferenciava dos demais. Pulando para a década de 80, quando o livro foi publicado, o autor, que era o então curador do banco de dados formado ao longo do estudo, percebeu que, em que pese esses alunos serem tidos como os mais aptos, o rumo que a vida deles tomou (profissional, pessoal e socialmente) não necessariamente equivalia ao potencial de cada um e essa diferença, segundo entendeu, tinha uma forte correlação com o que ele chamou de "mecanismos de adaptação à vida". Ou seja, as pessoas que alcançaram uma maior plenitude em suas vidas tinham atributos mentais em comum entre si (mecanismos de adaptação maduros, pela classificação do autor), ao passo que aqueles não tão bem sucedidos (novamente, para os padrões do que se esperava desse seleto grupo), desenvolveram mecanismos de adaptação imaturos ou, mesmo, patológicos.

2. Na segunda categoria, eu enumero autobiografias que acabam servindo como exemplos práticos dos modelos teóricos que os livros acima proporcionam. Servem meio que como casos de estudo e, no fim das contas, ao menos para mim, funcionam como uma forma de contextualizar melhor as ideias que eu aprendo com os livros mais teóricos.
A autora foi criada por uma família que, dentre outras coisas, rejeitava a educação formal e, por isso, não pisou os pés em uma escola até os 17 anos de idade. Nesse meio tempo, ela passou a maior parte de sua vida ajudando o pai no ferro-velho do qual era dono, ou a mãe, que era parteira e curandeira. Não obstante isso, resolveu "correr atrás" e, no fim das contas, ganhou um Gates Scholar e foi estudar em Cambridge.

Tem um tempinho que eu li esse livro mas, pelo que eu lembro, o autor era um desses caras que não estão "nem aí para a Hora do Brasil", como se diz popularmente... sabe como é, só queria saber de malhar e ir à praia, nunca foi nenhum gênio (não sei se é verdade ou se só diz isso para criar um impacto maior no leitor com a sua estória), só tirava notas baixas mas, a partir do momento em que decidiu se dedicar a construir uma mentalidade mais madura e evoluída, passou a ter resultados melhores, conseguiu ingressar em uma boa Universidade se formar no topo da turma e, hoje, é um magnata dos EUA.

Arnold Schwarzenegger dispensa apresentações, não é mesmo? O que esse livro tem de mais interessante não são dicas fitness, mas sim a narração do que estava se passando na mente dele enquanto ele batalhava para conquistar o que conquistou no mundo do fisiculturismo e do cinema. Na época em que o livro foi lançado, ele ainda não tinha sido Governador da Califórnia mas, em uma entrevista ele menciona as ideias do livro e diz que sempre que precisa enfrentar algum desafio, é nelas que busca apoio, o que fez, inclusive, quando entrou para a política.
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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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